Celebrar os êxitos e promover os benefícios

Celebrar os êxitos e promover os benefícios

“Promover a importância e o papel das aprendizagens e da educação em todas as etapas da vida e para todas as funções que cada qual ocupa”; eis a declaração de objetivos da Semana da Aprendizagem ao Longo da Vida na Eslovénia. Poderia ser, aliás, adotada por todas as outras semanas promocionais semelhantes que se realizam num grande número de países europeus. No Reino Unido, chama-se Semana dos Formandos Adultos (). Na Noruega, dá-se-lhe o nome de Jornadas de Educação. A associação nacional AONTAS organiza o Festival dos Formandos Adultos, enquanto na Rússia lhe chamam “Mexe-te!” (Move). Independentemente do título, todos estes eventos procuram promover a educação de adultos e a aprendizagem ao longo da vida.

Os organizadores irlandeses definiram os seus objetivos em cinco pontos:

- Celebrar os sucessos dos formandos e as organizações de educação de adultos- Promover os benefícios e o valor da educação de adultos- Aumentar os benefícios e o valor do sector de educação de adultos- Estimular a colaboração à escala local- Manter a educação de adultos na agenda política.

Algumas destas Semanas da Aprendizagem ao Longo da Vida já se vêm realizando há quase 20 anos. Em 1997, receberam um enorme estímulo quando a CONFINTEA V decidiu promover o desenvolvimento da Semana das Nações Unidas dos Aprendentes Adultos. Esta semana internacional foi lançada em Setembro de 2000, procurando fazer a ponte entre os vários festivais da educação em curso e aprofundar os intercâmbios e a cooperação transnacionais. Produziu-se um manual e criou-se um sítio internet sob os auspícios da UNESCO. Desta forma, a semana internacional também ajudou a disseminar a ideia por outros países, tanto na Europa como no resto do mundo. Passados alguns anos, a experiência mostrou que as associações e instituições nacionais preferem organizar as semanas promocionais numa altura do ano mais conveniente para o calendário nacional do que fixar a mesma semana à escala mundial. 

Em geral, os organizadores nacionais inspiraram-se noutros países. Num seminário realizado na Estónia, em Novembro de 2009, Nina Litvinova, coordenadora nacional da Semana da Aprendizagem ao Longo da Vida na Rússia, informou que recebera a ideia, em 1992, do Reino Unido. Organizaram a primeira semana em colaboração com colegas da Ucrânia, Cazaquistão e China e tiveram apoio de especialistas de vários países europeus. Atualmente, a Semana da Aprendizagem ao Longo da Vida tem lugar em, pelo menos, 12 países da Europa, em especial, nas regiões do norte, leste e centro. Houve um festival em Espanha, há uns anos atrás, mas, para além disso, a ideia não pegou na Europa meridional.

Em cada país organizador, verifica-se uma variedade enorme de atividades. Normalmente, é uma associação nacional que coordena as iniciativas de escolas e associações locais. Por exemplo, na Hungria, as atividades incluem: 

- Uma grande cerimónia inaugural- Festivais de rua- Eventos dedicados à arte popular- Atividades para pessoas idosas- Programas nas prisões- Educação em museus, para adultos- Ciência pop nas bibliotecas 

Em 2008, neste país, participaram 158 localidades através de 370 atividades, em que tomaram parte 50.000 pessoas e se gastaram 266.000 euros.

Em diversos países, os organizadores centram-se no formando individual e nos respetivos sucessos em aprendizagem ao longo da vida. No Reino Unido, a atribuição de Prémios do Formando Adulto é um elemento primordial na Semana da Aprendizagem ao Longo da Vida. Todos os anos, o NIACE (Instituto Nacional de Educação Contínua de Adultos) publica um volumoso livro contendo os perfis de todos os vencedores deste prémio, quer a nível local quer nacional. No prefácio à edição de 2009 do livro “Perfil dos Vencedores”, o Diretor do NIACE, Alan Tuckett, afirma: “Estas histórias são, em si mesmas, inspiradoras e mostram os mais variados usos da educação na vida das pessoas adultas. Também apresentam, no entanto, os desafios a enfrentar e as lutas a vencer por parte de centenas de milhar de adultos, que ainda conseguem encontrar tempo para aprender dentro das suas vidas ocupadas e, em consequência, descobrir novos interesses, construir novas competências ou rever e revitalizar curiosidades que tinham desenvolvido numa fase inicial da vida”. Este ano, a Semana teve lugar entre 15 e 21 de Maio (http://www.alw.org.uk/).

Celebrar os Campeões da Educação também entra nas Jornadas de Educação norueguesas: “Os Campeões da Educação são importantes porque nos contam boas histórias. Queremos motivar outras pessoas a aprender e estes Campeões mostram que tudo é possível,” diz Hilde Søraas Grønhovd, da VOFO (Associação de Educação de Adultos da Noruega). 

Para além de motivar os adultos a aprender mais, a Semana da Aprendizagem ao Longo da Vida também incentiva os mais diferentes tipos de entidades educadoras a colaborar. “Os formandos adultos encontram aqui representantes de vários sectores e estes contactam entre si durante a Semana. Têm oportunidade de debater, conhecerem-se mutuamente, estabelecer contactos e programar atividades conjuntas”, explicou Vilma, uma organizadora local, à Secretária Geral da Associação de Educação de Adultos da Lituânia (LAAE), Dalia Cymbaliuk. E Vilma também referiu outro resultado positivo: “As semanas suscitam uma tomada de consciência dos serviços públicos relativamente à importância da educação de adultos informal”. 

Muitas Semanas da Aprendizagem ao Longo da Vida dependem de financiamento público. É o caso da Finlândia, onde em 2010 não vai ocorrer este evento pois o Ministério da Educação decidiu cancelar o seu apoio financeiro ao Festival. Segundo a coordenadora da organização do Festival de 2009, Helena Miettinen, da Associação dos Centros de Estudo, trata-se de um passo atrás para a educação de adultos neste país: “O futuro da Finlândia está nas mãos dos adultos que estejam aptos para a aprendizagem ao longo da vida e se interessem por ela”, afirma. Já para Eeva-Inkeri Sirelius, Secretária Geral da Associação de Educação de Adultos da Finlândia, esse cancelamento não representa um problema de maior, reconhecendo que “nos últimos anos, as campanhas têm promovido as organizações de educação de adultos e os seus programas, em vez de motivarem as pessoas para a educação não formal”. Na sua opinião, o festival não conseguiu captar o interesse dos meios de comunicação social e dos demais atores envolvidos para a propagação da aprendizagem ao longo da vida. 

Na Noruega, existe financiamento público para as Jornadas de Educação, que se manteve, porém, inalterado nos últimos 10 anos. “É um desafio. E outro desafio é convencer mais instituições de educação de adultos, associações de estudos, estabelecimentos de ensino e outras entidades a investir algum do seu tempo para trabalharem nas Jornadas de Educação”, declara Hilde Søraas Grønhovd. Os organizadores noruegueses não possuem resultados quantitativos: quantos potenciais formandos foram assim contactados, quantos cidadãos foram efetivamente motivados… Contudo, tudo somado, Hilde não tem dúvida que estas atividades são importantes e ajudam a promover a educação de adultos. “A rede é um efeito positivo. Cooperamos com organizações que, sem estas Jornadas, não entrariam no nosso campo de ação. Também chamam a atenção dos media, especialmente dos jornais locais e regionais”, afirma Hilde Søraas Grønhovd.

Entre 2007 e 2009, oito organizações de cinco países (Finlândia, Estónia, País de Gales, Suíça e Países Baixos) conceberam e testaram instrumentos para medir e avaliar o impacto das atividades das Semanas de Formandos Adultos. Este projeto centrou-se na cooperação em parcerias locais e na colaboração ativa dos próprios adultos na preparação e realização das Semanas (Ver Adult Learners Week Evaluation – ALWE – http://www.alwe-online.nl/).

Tal como na Noruega e em muitos outros países, os organizadores eslovenos fazem um balanço positivo deste evento. A coordenadora nacional, Zvonka Pangerc Pahernik, faz a síntese dos efeitos de 14 anos de organização das Semanas: 

- O número e a diversidade das entidades formadoras aumentaram- A qualidade e a variedade dos eventos cresceram- Existe uma maior reatividade dos meios de comunicação social e do público em geral- Estabeleceram-se parcerias duradouras (entre instituições, grupos e pessoas de dentro e de fora do sector educativo)   - Garantiu-se a cooperação das entidades formadoras de pequena dimensão.

Michael Voss, Infonet, 08.05.2010